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Existe uma cena Rock em São Paulo?

December 28th, 2011

Definitivamente, esta não é a pergunta de um milhão de dólares. Até por que, qualquer integrante de qualquer banda paulistana sabe a resposta. Nesse momento, não existe.

Há tempos venho tentando entender o que aconteceu com a cena Rock n’ Roll em São Paulo, e o por quê da “escassez” de bandas de qualidade.

Nos anos 80, o Rock paulistano era tão forte quanto o movimento que vinha de Brasília ou do Rio de Janeiro. O Punk Rock destacava-se como o som de São Paulo. Hoje, o que prevalece é a falta de cooperação entre as bandas e o interesse medíocre de pequenos produtores e/ou selos, que não pensam no coletivo, e sim em promover suas bandas (ou sua banda) às custas de outras, com a obrigatoriedade de venda de ingressos.

É extremamente comum encontrar pequenos festivais onde bandas são obrigadas a vender uma cota de ingressos em troca da participação. Em 99% dos casos, não há público para essas bandas, pois estas trazem no máximo, alguns parentes de amigos.

O que as pessoas não enxergam, é que este tipo de festival não é uma boa opção pra ninguém. Não é pra quem organiza, pois o lucro é baixíssimo (senão inexistente), nem para as bandas que se apresentam, pois no geral, apresentam seu trabalho pra ninguém.

Não existe curadoria, ou no mínimo, o cuidado de que as bandas tenham estilo musical relativos. O investimento nesse tipo de festival é inexistente, já que a intenção do “produtor” não é lucrar, mas sim, pagar um salário de em média R$ 1.500,00 mês.

Existem também aqueles produtores que se escondem atrás da justificativa de obrigar a venda em alguns eventos e facultar a necessidade de venda em um próximo evento. Mais uma vez, o produtor do evento não tem intenção de lucro, então não investe.

E o coletivo? Não há o coletivo, pois a maioria das bandas estão se sujeitando aos pseudo produtores de eventos. A maioria das bandas paulistanas tem condições de bancar sua vida de ensaios e até investir em gravações, mas não se articulam, pois isso depende de networking e troca de informações. As bandas se esbarram nos corredores dos estúdios e agem como se estivessem dentro de um elevador, restringido suas palavras à um “boa tarde”, “bom dia” ou “boa noite”.

Voltando aos anos 90, quando divulgar bandas pela internet não resultavam em muita coisa, existiam muitos coletivos. Me lembro que toquei em algumas festas e alguns festivais simplesmente por que as pessoas se conversavam. Participamos de coletâneas. Haviam muitos coletivos culturais e por isso, naquela época, nunca precisei pagar pra tocar.

Hoje, raramente vejo esses coletivos para gravar coletâneas. Dificilmente você lê uma biografia de banda pós anos 2000, que tenha participado de alguma coletânea. Quando lê, certamente não é banda paulistana.

A justificativa para isto também é simples. Ficou muito barato gravar (o que é muito bom, lógico), e agora ninguém grava CD. Gravar CD é extremamente “anos 90″. Ok, que não existam os CDs, mas que ainda sim existam as coletâneas. Por que não trazer esse movimento para o mundo virtual? Se existem selos puramente virtuais, onde estão as coletâneas virtuais? Novamente, não há coletânea pois não há o coletivo.

Todos os ítens citados no parágrafo acima, não são apenas tangíveis, como prática comum em diversos coletivos espalhados ao redor do Brasil, mas em São Paulo é raridade.

Enquanto o músico paulista “Geração Y” não se lembrar que existe um mundo além virtual, e que o networking vai além dos domínios cybernéticos do Facebook e do Orkut, não existirá uma cena forte. O Rock paulista tem e sempre terá muito a dizer, mas agora, só depende de nós recriamos a cena e acordar esse vulcão que está adormecido.

Leandro Mendes MP13 , , , , , , ,

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